São Carlos foi a única cidade do interior de todo o Brasil a receber a bailarina NÁJUA, brasileira que atua no México a vários anos. Ela participou da XVI Mostra de Dança do Ventre do Studio Estrela do Oriente - Teatro do Sesc - 19 de dezembro de 2010, após se apresentar em várias Capitais.
Já no dia 18 de dezembro de 2010, aconteceu em São Carlos ¨C SP, Workshop com a Nájua com o tema Coreografia e Improvisação na Música Clássica árabe. Mulheres de São Carlos, Rio Claro, Araraquara, Arujá, Ibitinga, Itapetininga e Itápolis puderam aprender um pouco da vasta experiência desta grande bailarina que há anos mora no México e que já dançou em vários países árabes.
Além de 3 horas de aula, as alunas puderam comprar acessórios para a Dança do Ventre, já que o evento contou com a participação de stands, como do Ateliê Maisha Sharar de Franca e da Fátima Saraiva vendendo lenços egípcios além de CDs e DVDs.
O workshop teve a organização das bailarinas Mariana Lolato e Neyma Al Najmah. Em dezembro de 2.009 foi realizado workshop por Neyma e Mariana com a bailarina Lulu Sabongi.
Os Benefícios da Dança Oriental - texto da professora e bailarina Málika
Sem querer percorrer searas alheias no campo da saúde, quero compartilhar algumas informações sobre a dança do ventre e seus benefícios colhidas com médicos e fisioterapeutas. E, ainda, relatar observações extraídas da minha própria vivência como bailarina, professora, e estudante de técnicas corporais e de acordo com o depoimento de várias alunas, durante os 27 anos de minha vida dedicados à dança. A prática regular de exercícios beneficia a saúde, melhora os sistemas cardiovascular e respiratório, fortalece os músculos, aumenta a flexibilidade, ajuda na coordenação motora e traz ao sono mais qualidade, tornando-o mais tranqüilo. A dança do ventre pode ser praticada desde a adolescência até a "terceira", ou como prefiro denominar "melhor" idade. O trabalho com a "melhor" idade tem como proposta melhorar a sua qualidade de vida, proporcionando benefícios para a saúde e evitando a instalação ou a piora do estado de depressão. Inúmeros movimentos da dança do ventre ajudam a conservar a mobilidade articular e desenvolvem a confiança na movimentação. Assunto atualmente bastante polêmico é a prática da dança do ventre pelas meninas, que merece, por si só, um artigo especial. As gestantes, igualmente, merecem um capítulo à parte. Estudo recente, ainda não publicado, realizado pelo Dr. Raul Santo, fisiologista da Unifesp, Universidade Federal de São Paulo, revela que a dança do ventre queima 330 calorias em uma hora e previne o aparecimento de varizes. Em artigo publicado na Revista Planeta, de janeiro de 2000, o Dr. Sérgio Mortari afirma que "para os adolescentes o aprendizado da dança do ventre tem numerosos aspectos favoráveis: é um elemento de contato com a feminilidade e a maternidade, estimula a auto valorização e serve como um poderoso e terapêutico exercício físico". Disse também, que ela envolve o conhecimento e a movimentação de todo o corpo, atuando como um estímulo ao refinamento do comportamento, da valorização de si mesmo, da necessidade de gostar-se mais. E finalmente conclui que "em termos terapêuticos - e aqui a recomendação vale para todas as mulheres - a dança do ventre alivia os efeitos da tensão pré menstrual, a sensação dolorosa, o desconforto abdominal, previne distúrbios de menstruação, as disfunções sexuais, como a frigidez e finalmente, restabelece o interesse e o desejo sexual como um todo. Igual enfoque deu a Dra. Eveline Novacki à dança do ventre, em palestra proferida em São Paulo, no Sesc Pompéia. Salientou que vários problemas emocionais podem originar ou piorar distúrbios menstruais. Os movimentos ondulantes da dança do ventre permitem uma irrigação sanguínea mais abundante na região pélvica, melhorando lombalgias, flacidez perineal, lubrificação vaginal e a função sexual. A Dra. Eveline concluiu que a dança do ventre melhora a saúde geral e a disposição da mulher, aumenta a percepção de si mesma e dos outros; funciona como uma válvula de escape para tensões e raiva; tem impacto positivo sobre as fantasias sexuais e auxilia o desenvolvimento da auto estima sexual; ajudando a combater a culpa e a vergonha sexual. Os relatos de muitas alunas confirmam as observações e conclusões do Dr. Sérgio e da Dra. Eveline, principalmente no que se refere à melhora das cólicas menstruais e da disposição geral. Outro retorno constante é o término da "prisão de ventre" (a dança do ventre promove uma massagem nos órgãos internos pelos movimentos ondulantes e pelo trabalho com a respiração); o emagrecimento e o "afinamento" da cintura (conseqüência de qualquer atividade física aliada aos movimentos em torsão específicos da dança do ventre que geram a desinfiltração de líquidos dos tecidos) e a melhora da postura. Assim, a dança do Oriente é vista, hoje em dia, não apenas como uma arte milenar, mas também como uma atividade física que traz inúmeros benefícios às suas praticantes: alterna exercícios aeróbicos e de musculação, que é rica em movimentos pélvicos, circulares; arredondados, espirais , torções, entre outros; que funciona como um trabalho corporal completo e minucioso; e que resgata as linhas orgânicas e a movimentação coordenada. Mas é importante que a praticante desta dança, tenha cuidado ao escolher a professora, para não cair nas mãos de quem só quer ganhar dinheiro, através do modismo. Procure uma profissional que tenha no mínimo cinco anos de estudo desta Arte e esteja sempre em desenvolvimento.
Segundo Neyma, podemos resumir os benefícios da Dança do Ventre como sendo:
-TRABALHAR O ALONGAMENTO, MELHORANDO A FLEXIBILIDADE. -EDUCAR A POSTURA -MELHORAR A AUTO-ESTIMA E DESPERTAR A SENSUALIDADE FEMININA, CONFERINDO À MULHER MAIS BELEZA, SUAVIDADE, DELICADEZA E SEGURANÇA. -MODELAR ABDOME, AFINA A CINTURA, ENRIJECER A MUSCULATURA DE BRAÇOS E PERNAS. -AUXILIAR NO PARTO, E MUITOS DIZEM QUE AJUDA A ENGRAVIDAR. -ESTA DANÇA É CONSIDERADA QUASE TÃO COMPLETA QUANTO A NATAÇÃO.
DANÇA DO VENTRE NÃO DEVE SER PRATICADA POR CRIANÇAS
Escrito por Rhamza Alli
Uma menina nascida em uma comunidade árabe, é apresentada ao que é conhecido no ocidente como dança do ventre quando de sua menarca. Nesta ocasião, ela é retirada de seu mundo infantil (brincadeiras na rua, etc), e iniciada em diversos movimentos e exercícios que têm como objetivo o fortalecimento de seus órgãos reprodutores, músculos abdominais e internos das coxas, a fim de desenvolver um corpo forte para gestações tranqüilas, partos naturais e menos dolorosos. Esta é a original função da dança.
Antes de se tornar mulher os órgãos reprodutores ainda não estão em funcionamento e muitas mudanças ainda acontecerão. Os exercícios da dança do ventre atuam principalmente nestes órgãos trabalhando contrações de diversos pontos que podem interferir no desenvolvimento e na maturidade sexuais da menina.
Além disso, os movimentos ondulatórios e sensuais influenciam diretamente o psicológico da criança. A sexualidade e sensualidade têm seu tempo de acontecer e fluem naturalmente com a puberdade, força-las a acontecer, mesmo que inconscientemente, pode trazer sérias conseqüências.
O fato de a dança ter se aberto ao ocidente não nos dá o direito de atropelarmos uma cultura milenar e expormos nossas meninas à prática de exercícios só destinados à mulheres. O fato de a televisão mostrar crianças executando uma suposta dança do ventre não significa que isso seja bom ou benéfico, ou sim?
As antigas tradições têm sua razão de ser, os movimentos da dança do ventre são muito eficientes e benéficos, mas, mal direcionados podem causar sérios danos ao funcionamento dos órgãos abdominais (reprodutores, digestivos, respiratórios), além de outros causados por qualquer exercício errado: coluna, ligamentos, articulações, etc.
Tudo na vida tem seu tempo, a gente espera para usar salto alto, maquiagem, para tirar carta de motorista, enfim... A dança do ventre também tem sua hora: é a partir da puberdade, criança é criança, a infância dura tão pouco, para quê encurta-la?
Rhamza Alli, 35, neta de sírios, criada dentro das tradições árabes, se dedica integralmente à prática e estudo da dança do ventre desde 1985. Morou em São Paulo de 85 a 96 integrada à comunidade árabe e às primeiras manifestações desta dança no Brasil. Morou dois anos fora do Brasil entre Europa e Estados Unidos estudando com as maiores personalidades no assunto.
Em Nova York estudou com a médica Gaby Oeftering especializada em Dança do Ventre, Gestação e Parto com quem ampliou seus conhecimentos quanto às consequências físicas e patológicas da prática da dança do ventre.
Pratica diariamente balé clássico, estuda o funcionamento e formação dos músculos a partir de um esqueleto bem colocado e entende a dança do ventre como a dança das mulheres do mundo.
Desde 1996 reside em Londrina e dirige uma Escola de Dança do Ventre onde desenvolve um trabalho único de formação de novas bailarinas. A Escola também proporciona a prática da dança com fins de entretenimento, condicionamento físico e auxílio terapêutico.
XV Mostra de Dança do Ventre conta com a apresentação da bailarina Lulu Sabongi, hoje, no Teatro Municipal
O clima místico do oriente invade o Teatro Municipal na noite de hoje através da XV Mostra de Dança do Ventre realizada pela academia Estrela do Oriente, que contará com a participação de 30 alunas e a vinda de Lulu Sabongi, grande nome da dança do ventre no Brasil que, além de ministrar um workshop, também fará uma apresentação nesta noite.
A dança do ventre é uma arte praticada originalmente em diversas regiões do Oriente Médio e Ásia Meridional, com origem em 7000 a5000 a.C. cujos movimentos aliados a música e sinuosidade semelhante a uma serpente, foram registrados no Antigo Egito, Babilônia, mesopotâmia, Índia, Pérsia e Grécia, e tinham como objetivo preparar a mulher, através de ritos religiosos dedicados a deusas, para se tornarem mães. Em São Carlos, as alunas da professora Neyma Al Najmah estão na expectativa de sua primeira apresentação no teatro Municipal. gA expectativa é grande pela vinda da Lulu; também é nossa estréia no Teatroh afirma Neyma.
A Mostra contará com apresentações no estilo clássico, folclórico, solo de derbak e moderno com espada, véu entre outros instrumentos típicos usados na dança.
A apresentação começa a partir das 20h e os ingressos podem ser adquiridos na La Villa e Restaurante Barone.
LULU SABONGI: Considerada a maior bailarina de Dança do Ventre do Brasil, ela começou seus estudos na arte no ano de 1983 com Sherahzad, uma armênia residente no Brasil. No ano de 1985 começou a se apresentar em uma das mais populares casas de cultura árabe do Brasil, situada na cidade de São paulo, a Khan el Kalili, e em 1990 a dar aulas no mesmo local.
Sua história fora do país começou em 1992, quando fez sua primeira viagem aos Estados Unidos em busca de mais conhecimento.
Atualmente, com mais de 20 anos de carreira, incluindo apresentações fora do Brasil, ela estará em São Carlos, em apresentação no Teatro e a realização de workshop de dança.
* Matéria publicada pelo Jornal Primeira Página, no dia 16 de dezembro de 2.009
* Observações: 1) Lulu Sabongi é a bailarina mais conceituada em atividade no Brasil, havendo outras grandes bailarinas brasileiras atuando na Europa e Egito. 2) As mostras anteriores tiveram, em regra, sua apresentação no Teatro do Sesc, e a XV Mostra teve apresentações no Teatro do Sesc e no Teatro Municipal, este pela primeira vez.
PIONEIRA EM DANÇA DO VENTRE EM SÃO CARLOS - DESDE 1996